A ação de alimentos é uma medida judicial destinada a assegurar o direito à assistência material entre parentes, cônjuges e companheiros. Regida pelo Código Civil Brasileiro, essa ação tem como objetivo garantir a subsistência de quem não pode prover seu próprio sustento, seja por incapacidade física, mental ou por outra razão relevante.
Fundamentos Legais
O direito aos alimentos está previsto nos artigos 1.694 a 1.710 do Código Civil Brasileiro. Segundo o artigo 1.694, “podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação.”
Quem Pode Pedir Alimentos
- Parentes: Inclui filhos, pais, avós, netos e outros parentes em linha reta, bem como irmãos.
- Cônjuges e Companheiros: O ex-cônjuge ou ex-companheiro pode solicitar alimentos em caso de separação ou divórcio, quando não tiver condições de prover seu próprio sustento.
- Menores: Crianças e adolescentes têm direito a pedir alimentos aos pais, mesmo que vivam com outro parente ou tutor.
Critérios para Concessão de Alimentos
A concessão de alimentos é baseada no binômio necessidade-possibilidade:
- Necessidade: A parte requerente deve comprovar a necessidade dos alimentos para seu sustento e educação.
- Possibilidade: A parte obrigada a prestar alimentos deve ter condições financeiras de arcar com a obrigação, sem comprometer seu próprio sustento.
Tipos de Alimentos
- Provisórios: Concedidos liminarmente no início da ação, com base em prova pré-constituída da necessidade do alimentando e da possibilidade do alimentante.
- Provisórios: Fixados durante o processo até a sentença final.
- Definitivos: Estabelecidos na sentença final, após análise detalhada das condições de ambas as partes.
Procedimento da Ação de Alimentos
- Petição Inicial: A parte interessada deve apresentar uma petição inicial ao juiz, expondo os fatos que justificam o pedido de alimentos e indicando provas documentais, como certidões de nascimento, comprovantes de renda e despesas.
- Audiência de Conciliação: O juiz marcará uma audiência de conciliação para tentar um acordo entre as partes. Se houver acordo, ele será homologado pelo juiz e terá força de título executivo judicial.
- Provas: Caso não haja acordo, o processo seguirá para a fase de instrução, onde serão produzidas provas documentais, testemunhais e periciais, se necessário.
- Sentença: Após a instrução, o juiz proferirá a sentença, fixando o valor dos alimentos a serem pagos, levando em consideração a necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante.
- Execução: Se o alimentante não cumprir a obrigação estabelecida, a parte credora pode requerer a execução da sentença, que pode incluir penhora de bens, bloqueio de contas bancárias e até prisão civil do devedor.
Revisão e Exoneração de Alimentos
O valor dos alimentos pode ser revisado a qualquer momento, em caso de alteração na situação financeira de uma das partes. A exoneração dos alimentos pode ser requerida quando cessar a necessidade do alimentando ou se o alimentante provar que não possui mais condições de arcar com a obrigação.
Considerações Importantes
- Caráter Alimentar: Os alimentos têm caráter alimentar, ou seja, visam assegurar a sobrevivência e o bem-estar do alimentando. Portanto, a obrigação de prestar alimentos deve ser cumprida com prioridade.
- Prova de Necessidade e Possibilidade: É crucial que ambas as partes apresentem provas contundentes para fundamentar suas alegações, seja de necessidade ou de impossibilidade.
- Acordo Extrajudicial: Sempre que possível, é recomendável buscar um acordo extrajudicial para evitar o desgaste emocional e financeiro de um processo judicial.
Conclusão
A ação de alimentos é um instrumento jurídico essencial para garantir a dignidade e a subsistência de pessoas que não têm condições de prover seu próprio sustento. Com base no Código Civil Brasileiro, essa ação busca equilibrar a necessidade do alimentando com a possibilidade financeira do alimentante, promovendo justiça e proteção social. A assistência de um advogado especializado em direito de família é fundamental para orientar as partes e assegurar que seus direitos sejam respeitados e protegidos durante o processo.
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